O desembargador Mário Helton Jorge, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), disse que o estado “tem nível cultural superior ao Norte e ao Nordeste” e que é um local que não tem o “jogo político dos outros estados”.
O comentário foi feito pelo magistrado durante uma sessão pública realizada pela Segunda Câmara Criminal no momento em que ele realizava voto.
“Porque é uma roubalheira generalizada. E isso no Paraná, que é um estado que tem um nível cultural superior ao Norte do país, ao Nordeste, etc. É um país que não tem esse jogo político dos outros estados”, disse Jorge.
Após a repercussão do caso, o desembargador divulgou nota em que lamentou o ocorrido.
“Sobre este lamentável episódio, o Desembargador Mário Helton Jorge referiu que a fala foi proferida durante o julgamento de um recurso e se referiu a corrupção em geral. Não houve intenção de menosprezar ou estabelecer comparação de cunho preconceituoso contra qualquer pessoa, instituição ou região do nosso país. O magistrado lamentou o ocorrido e pediu sinceras desculpas pelo comentário. ”
O Tribunal de Justiça do Paraná, emitiu uma nota que não endossa os comentários feitos pelo desembargador Mário Helton Jorge.
“O Tribunal reitera que não compartilha de qualquer afirmativa que possa ser discriminatória ou depreciativa, como, aliás, é próprio de sua tradição e história de mais de 131 anos. Em nota pública, o Magistrado já reconheceu a inadequação de suas manifestações, apresentando as suas necessárias desculpas, às quais o Tribunal se associa”, diz o TJ-PR.
A OAB do Paraná repudiou veementemente as declarações do desembargador afirmando que "termos empregados são incompatíveis com o senso de justiça e igualdade que se espera dos magistrados."
O órgão manifestou solidariedade à população brasileira atingida pela fala do desembargador.
"A seccional, portanto, manifesta seu incondicional apoio à advocacia e sua solidariedade ao povo brasileiro, atingidos pelas palavras de cunho discriminatório."
A Ordem disse ainda que "se utilizará dos meios legais e regimentais para desagravar a advocacia paranaense desrespeitada na manifestação do magistrado."