O Japão aprovou o primeiro tratamento para Parkinson com técnica inovadora envolvendo células-tronco. A informação, divulgada na sexta, 6, pelo Ministério da Saúde japonês, diz que o medicamento Amchepry poderá estar disponível para pacientes em meados deste ano.
“Espero que isso traga alívio aos pacientes não apenas no Japão, mas em todo o mundo”, disse o ministro da Saúde, Kenichiro Ueno, em uma coletiva de imprensa.
A empresa farmacêutica Sumitomo Pharma informou que recebeu a aprovação para a fabricação e venda do Amchepry.
Disse ainda que o Ministério da Saúde do Japão também deu sinal verde para o ReHeart, outro remédio para restaurar a função cardíaca. Eles desenvolveram lâminas de músculo cardíaco, pela startup médica Cuorips, que podem ajudar a formar novos vasos sanguíneos.
Os relatos, citando o Ministério da Saúde do Japão, dizem que os tratamentos poderão estar no mercado já neste verão e serão os primeiros produtos médicos comercialmente disponíveis no mundo a utilizar células-tronco pluripotentes induzidas.
As células iPS são criadas estimulando células maduras, já especializadas, a retornarem a um estado juvenil, basicamente uma clonagem sem a necessidade de um embrião.
As células podem ser transformadas em diversos tipos de células diferentes e sua utilização é um setor fundamental da pesquisa médica.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Kyoto indicou que o tratamento da empresa era seguro e eficaz na melhora dos sintomas.
O estudo envolveu sete pacientes com Parkinson, com idades entre 50 e 69 anos, cada um recebendo um total de cinco milhões ou dez milhões de células implantadas em ambos os lados do cérebro.
Os pacientes foram acompanhados durante dois anos e nenhum efeito adverso grave foi encontrado, segundo o estudo. Quatro pacientes apresentaram melhora nos sintomas.
As células iPS de doadores saudáveis foram transformadas em precursoras de células cerebrais produtoras de dopamina, que não estão mais presentes em pessoas com doença de Parkinson.
A doença de Parkinson é uma doença neurológica crônica e degenerativa que afeta o sistema motor do corpo e causam tremores e outras dificuldades de movimento.
Em todo o mundo, 10 milhões de pessoas têm a doença, de acordo com a Fundação Parkinson.
As terapias atualmente disponíveis “melhoram os sintomas sem retardar ou interromper a progressão da doença”, afirma a fundação.
“Iremos realizar prontamente todos os procedimentos necessários para garantir que chegue a todos os pacientes, sem falta”, disse o cientista japonês Shinya Yamanaka, um dos responsáveis pelo novo medicamento.
Ele ganhou o Prêmio Nobel em 2012 por sua pesquisa sobre células-tronco pluripotentes induzidas (iPS), que têm o potencial de se desenvolver em qualquer tipo de célula do corpo.
O valor do medicamento não foi informado.

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