Sexta-feira 13. A combinação carrega um peso quase automático. Basta um estalo na casa silenciosa para que a mente faça a conexão: hoje é dia 13, e é sexta-feira.
Pode ser coincidência, sugestão ou puro reflexo cultural, mas a sensação existe.
A data atravessou séculos cercada de simbolismos que misturam religião, folclore e tradição popular. Para alguns, falar em Sexta-feira 13 é apenas alimentar superstição. Para outros, é respeitar algo que não se explica com facilidade.
E há ainda quem garanta: não se trata só de história, eles viram, ouviram, sentiram.
Em plena era das câmeras de alta definição, da ciência e das respostas imediatas, provar a existência de assombrações parece improvável. Ainda assim, o inexplicável continua encontrando espaço, especialmente em regiões onde a memória coletiva é forte e as narrativas passam de geração em geração.
E, com ela, volta a velha pergunta: por ser a primeira sexta-feira 13 do ano, os presságios seriam mais intensos? Não há evidência de que datas “inaugurais” carreguem mais mistério do que as demais.
Mas o simbolismo pesa.
Independentemente de ser a primeira, a segunda ou a última do calendário, a combinação entre a sexta-feira e o número 13 sempre deixa alguém com a sensação de alerta.
Nos Campos Gerais e no Norte Pioneiro do Paraná, esse imaginário ganha contornos próprios. A região é rica em histórias que misturam tragédia, fé, culpa e esperança — algumas registradas em livros, outras preservadas apenas na lembrança dos moradores mais antigos.
Em Arapoti, a antiga linha do trem é cenário de uma das lendas mais conhecidas. Décadas atrás, uma jovem prestes a se casar deixou a casa do noivo após um jantar em que alinharam os últimos detalhes da cerimônia. Feliz e distraída, atravessou os trilhos sem perceber a aproximação do trem. Morreu ali mesmo. Desde então, há relatos de que a noiva vaga pela ferrovia durante a noite, como se ainda procurasse o amor interrompido pela tragédia. Alguns afirmam já ter visto a figura caminhando na escuridão. Outros dizem que, ao tentar se aproximar, ela simplesmente desaparece.
Em Curiúva, outra narrativa atravessa gerações. Um casal que parecia viver um grande amor teria sido consumido pelo ciúme após o casamento. As discussões se intensificaram até que, em plena rua, a situação terminou em violência extrema. Segundo a tradição oral, o homem desferiu 53 facadas na esposa. O corpo, encontrado em frente a um bar, foi coberto com um lençol branco até a chegada das autoridades. O agressor nunca mais teria sido visto na cidade. Desde então, moradores relatam aparições de uma mulher vestida de branco caminhando à noite, especialmente nas proximidades do ocorrido.
Já em Tomazina, a lenda assume proporções quase míticas. A Lenda da Serpente de Tomazina, também chamada de Serpente do Rio das Cinzas, segundo a tradição, teria surgido após duas crianças serem lançadas nas águas e se transformarem em uma criatura gigantesca. O corpo da serpente se estenderia da ponte até o subsolo da Igreja Matriz. As rachaduras nas paredes do templo seriam sinais de sua movimentação. A fé da população, dizem, mantém a criatura adormecida. Se a harmonia se quebrar, ela despertaria.
Em Joaquim Távora, o mistério está associado à Lenda da Panela de Ouro. Antigos moradores teriam enterrado riquezas durante períodos de guerra ou instabilidade. Como muitos não retornaram para buscá-las, os tesouros teriam ficado “encantados”, guardados por espíritos.
A aparição da chamada Mãe de Ouro, uma luz intensa que cruza o céu e aponta o local exato, seria o sinal para os corajosos. Mas a tradição impõe regras: não demonstrar medo e deixar algo em troca. Do contrário, a fortuna pode se transformar em maldição.
Em Cornélio Procópio são vários os relatos de aparições, de lobisomens até atraentes mulheres que pedem carona e desaparecem quando o carro se aproxima do Cemitério Municipal. Há locais na cidade onde as pessoas evitam passar, São casas abandonadas e edificações antigas, sombrias.
Essas histórias não constam em relatórios oficiais, nem são comprovadas por registros científicos. Ainda assim, seguem vivas.
A Sexta-feira 13 funciona como um gatilho cultural: reativa memórias, fortalece crenças e faz com que o silêncio da noite pareça mais denso.
Talvez o fascínio não esteja em provar o sobrenatural, mas em compreender o poder das narrativas. Elas ajudam a construir identidade, reforçam valores e mantêm viva a tradição de contar e recontar experiências que escapam à lógica.
Entre a descrença e a fé, cada morador escolhe no que acreditar. Mas quando o calendário marca Sexta-feira 13, mesmo os mais céticos costumam prestar atenção redobrada aos ruídos da noite. Porque, no fim das contas, o mistério continua sendo parte da condição humana e nos Campos Gerais ou no Norte Pioneiro do Paraná, ele tem endereço, nome e história.

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