O governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre mercadorias exportadas pelo Brasil. A medida, anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, começa a valer a partir de 22 de julho de 2026.
A estimativa oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é que o impacto direto atinja US$ 7,4 bilhões em exportações, o equivalente a 18% de tudo o que o país vende para o mercado americano.
A indústria de transformação concentrará os maiores prejuízos, já que o foco da taxação recai sobre produtos manufaturados de maior valor agregado.
Máquinas de energia elétrica e equipamentos pesados acumularam vendas de US$ 1,2 bilhão para os EUA e passam a ter custo de entrada 25% maior.
Com queda expressiva nas vendas após a reintrodução de taxas pelo Brasil, as exportações ao mercado americano somaram US$ 96 milhões e agora sofrem nova barreira.Calçados e couro: O setor calçadista, concentrado no Rio Grande do Sul e no Ceará, exportou US$ 350 milhões para o país e corre o risco de perder espaço para concorrentes asiáticos.
Empresas do setor moveleiro transacionaram cerca de US$ 280 milhões e passam a embutir a alíquota cheia na chegada aos portos americanos.
Com embarques da ordem de US$ 150 milhões, a indústria têxtil brasileira enfrentará perda imediata de margem de lucro.
Além da nova taxa de 25% vinculada à Seção 301, o aço e o alumínio brasileiros continuam enquadrados em sobretaxas anteriores impostas pela Casa Branca.
Nesses casos, somando as tarifas vigentes sob a Seção 232 com as novas restrições, a tributação sobre esses insumos pode chegar a até 50%.
O volume de derivados de ferro e aço afetados soma mais de US$ 2,5 bilhões em embarques anuais.
A lista de exceções elaborada pelo USTR preservou a entrada de matérias-primas e commodities estratégicas. Estão isentos do imposto de 25% itens como café (US$ 2 bilhões exportados), carne bovina (US$ 1,6 bilhão), petróleo bruto, suco de laranja e aeronaves civis.
A justificativa da Casa Branca acusa o Brasil de "práticas comerciais desleais". O relatório americano aponta restrições ao Pix, tarifas brasileiras sobre o etanol americano e decisões judiciais contra plataformas digitais dos EUA como os motivos centrais para a retaliação.
Segundo especialistas no assunto, para o Brasil, a taxação reduz a competitividade das fábricas nacionais no exterior, o que pode paralisar linhas de montagem e provocar cortes de vagas em polos calçadistas e metalmecânicos. A diminuição na entrada de dólares traz volatilidade para o mercado de câmbio e enfraquece a moeda local.
Já para os EUA, importadores e indústrias americanas dependentes de componentes brasileiros repassarão o custo extra ao consumidor final. A cobrança encarece a cadeia de suprimentos local, elevando a pressão inflacionária sobre bens de consumo e maquinário.

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