Um delegado da Polícia Federal foi preso duas vezes na segunda-feira (13), em Londrina, no Norte do Paraná, por desacato e injúria racial.
Primeiro, ele acabou detido porque teria ofendido e desrespeitado agentes ao questionar uma blitz da Polícia Militar, que acontecia na Avenida Ayrton Senna, zona sul da cidade. O homem foi encaminhado à Central de Flagrantes, onde prestou depoimento.
Em seguida, já na saída da delegacia, recebeu nova voz de prisão após funcionários de uma locadora de veículos o reconhecerem como autor de ofensas de cunho racista, fato ocorrido horas antes. A Polícia Federal do Paraná informou que abriu um procedimento preliminar para apurar o caso.
Segundo a Polícia Militar, o caso começou em uma locadora de veículos instalada em um shopping na Avenida Ayrton Senna. O homem teria discutido com funcionários ao devolver um carro alugado e durante o desentendimento, usado expressões racistas contra três pessoas negras.
Na sequência, ele deixou o estabelecimento a pé e caminhou até uma blitz realizada pela Companhia de Trânsito em frente ao shopping.
De acordo com o sargento Marco Antonio Trindade, o homem questionou a operação policial e se recusou a se identificar.
“Ele falou que era delegado da Polícia Federal e não precisaria se identificar para mim. A conversa começou a se acalorar e ele cometeu desacato contra a minha pessoa. Até a chegada da equipe da Polícia Federal, nós não sabíamos que ele realmente era delegado. Depois da confirmação, também tomamos conhecimento de que existem alguns boletins de ocorrência registrados em desfavor dele”, afirmou o sargento.
O homem foi levado à Delegacia da Polícia Civil em uma viatura da Polícia Federal. Depois dos procedimentos, assinou termo de compromisso e deixou a unidade.
No entanto, ao sair da delegacia, três funcionários da locadora registravam um boletim de ocorrência contra o delegado.
Segundo a PM, eles o reconheceram e afirmaram que o policial os ofendeu com insultos racistas momentos antes.
Diante do reconhecimento e da denúncia, os policiais deram nova voz de prisão em flagrante por injúria racial. Os agentes acionaram novamente a Polícia Federal para acompanhar a ocorrência.
Enquanto estava detido, o delegado teria recebido apoio da mãe, que também foi acusada de injúria racial, de acordo com os agentes. O policial prestou novo depoimento, deixou a delegacia e responderá às acusações em liberdade.
Em nota, a Polícia Federal informou que acompanha o caso e instaurou um procedimento interno para apurar os fatos.

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