As polícias civil e militar do Paraná prenderam 11 pessoas no início da manhã de sexta-feira (24), durante uma megaoperação contra uma organização criminosa suspeita de movimentar cerca de R$ 30,5 milhões com tráfico de drogas e lavagem de capitais, com base de atuação no bairro Parolin, em Curitiba.
Os mandados também foram cumpridos em Itapema (SC) e Maceió (AL), com apoio das polícias civis e militares locais.
Ao todo, foram executados 11 mandados de prisão preventiva, 15 de busca e apreensão domiciliar, além de 13 ordens de bloqueio e sequestro de ativos financeiros.
A ofensiva contou com cerca de 150 policiais e a atuação de helicópteros e cães de faro para reforçar a capacidade operacional e garantir a segurança no cumprimento das ordens judiciais.
A liderança do grupo foi capturada em Alagoas.
A operação é resultado de uma investigação iniciada em junho de 2025. O grupo identificado consolidou o domínio territorial no bairro após um conflito armado que culminou na neutralização de uma organização rival, passando a converter residências da região em depósitos estratégicos de armas e drogas, além de transformá-las em refúgios operacionais.
De acordo com o coronel Alexandre Lopes Dias, comandante de Missões Especiais da PMPR, o enfrentamento à criminalidade passa diretamente pela integração das forças.
A equipe apurou que a estrutura criminosa era chefiada à distância por um indivíduo e seu braço direito. Ambos alegaram ter recebido supostas ameaças de morte e conseguiram transferir o cumprimento de suas penas para Maceió (AL).
A investigação constatou ainda que a organização criminosa movimentou aproximadamente R$ 30,5 milhões entre fevereiro de 2018 e setembro de 2025, valores oriundos principalmente do tráfico de drogas e posteriormente ocultados por meio de um esquema estruturado de lavagem de dinheiro. Durante a operação desta sexta-feira, foram apreendidos R$ 17,3 mil em espécie e 149 dólares, uma pistola calibre 9mm e oito veículos utilizados pelo grupo nas atividades criminosas.
Para dissimular a origem ilícita dos valores, a organização operava um esquema de lavagem de dinheiro que incluía familiares, companheiras e empresas de fachada utilizadas para ocultação patrimonial. “O capital era inserido no sistema financeiro por meio de depósitos em espécie fracionados feitos em caixas eletrônicos e lotéricas. Após a compensação financeira, os valores eram transferidos a inúmeras contas de passagem, que recebiam aportes milionários e eram esvaziadas rapidamente para dificultar o rastreamento”, complementou o delegado Casanova.
A atuação da organização criminosa foi comprovada em ações policiais anteriores. Em desdobramentos operacionais, a polícia localizou uma “casa cofre” no bairro Sítio Cercado, em Curitiba, onde foram apreendidos R$ 493.879 em espécie, além de equipamentos e entorpecentes.
Além do tráfico, a investigação apurou que o grupo está relacionado a homicídios registrados em Curitiba e cidades vizinhas. Em março de 2026, o líder de uma organização criminosa rival e seu filho foram executados a tiros em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana. As investigações verificaram que o duplo homicídio teria como autoria membros do grupo.
A ação policial teve como objetivo não apenas a repressão direta nas ruas, mas principalmente o estrangulamento financeiro da organização criminosa.

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