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Agricultores brasileiros são cada vez mais jovens que concorrentes da Europa e dos EUA


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Em muitas famílias, os jovens de origem rural que estudavam nos grandes centros foram obrigados a voltar para casa e aguardar o fim da quarentena

Foto: Ilustrativa
A mudança causada pela pandemia irá impactar o setor rural nos próximos anos

Em suas andanças por fazendas e encontros com agricultores de todo País, Paulo Herrmann, ex-presidente da fabricante de máquinas agrícolas John Deere por duas décadas, diz ter detectado uma mudança causada pela pandemia que irá impactar profundamente o setor rural nos próximos anos.

Em muitas famílias, os jovens de origem rural que estudavam nos grandes centros foram obrigados a voltar para casa e aguardar o fim da quarentena. Essa estadia por mais tempo do que se imaginava, diz Herrmann, fez com que os jovens se deparassem com uma realidade que colocou em xeque seus planos. “Eles encontraram uma atividade com nível de tecnologia que não tinham ideia. Isso chamou atenção para o potencial de aumento de receita da atividade dos pais. E com os preços das commodities em níveis recordes e boas safras, o agricultor brasileiro passou a ter um caixa forte. E aí fez investimento de toda ordem na atividade, mais máquinas, mais internet, mais silos, mais energia solar, mais irrigação”.

Cercado de tecnologia e de startups com soluções inovadoras para os negócios dos pais, muitos desses jovens teriam decidido ficar no campo. Pesou também o fato de as universidades adotarem amplamente os EADs e os conteúdos digitais. O resultado, diz Herrmann, deverá ser percebido em breve. “Em dois a três anos vamos ver avanços significativos, em termos de aumento de competitividade e uso mais eficiente das tecnologias. Essa é a grande leitura da pandemia no agronegócio. Estamos vivendo um momento muito especial no agro”, assegura o CEO da AgConsulting.

Se a tese de Herrmann se confirmar, a agricultura brasileira deve se distanciar mais um pouco dos seus principais concorrentes quanto ao envelhecimento de quem toca os negócios. No Brasil, a idade média do agricultor está em torno de 46 anos, contra 58 do americano. Na Europa, para cada produtor com menos de 40 anos existem três acima de 65. Essa diferença dos brasileiros em relação aos seus principais competidores pode ser ainda maior, conforme a região e a cultura agrícola envolvida. É o que mostra uma pesquisa da Fruto Agrointeligência, feita em 2020, no início da pandemia.

Segundo o levantamento, alguns setores da agricultura nacional já estão sendo “dominados” pela nova geração. Na ponta, os produtores de algodão, em que 60% têm menos de 35 anos (52% com curso superior). Em seguida os agricultores do Cerrado, onde 44% estão abaixo dos 35 anos (42% com curso superior), e os horticultores, dos quais 40% têm menos de 35 anos (26% com curso superior).

São dados que contrastam com informações do Censo Agro 2017, que apontava uma espiral de envelhecimento no campo. Aqueles com mais de 65 anos representavam 21,4%, contra 17,52% indicados pelo censo anterior, de 2006. “Esses dados, em termos de demografia, não têm mais valor científico algum. Qualquer estatística pré-pandemia é hoje um número histórico”, argumenta Hermann, que aposta que o próximo censo mostrará uma situação bem diferente.

A pesquisa da Fruto Agrointeligência teve foco em produtores e trabalhadores rurais de cultivos que cobrem 85% da área plantada no país. Dados da Embrapa apontam que das 5 milhões de propriedades rurais brasileiras, 500 mil respondem por 87% da produção; o restante ainda precisa ser inserido de forma mais competitiva no agronegócio.

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Fonte: Redação CN Notícias, com informações da Gazeta do Povo
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