Se em muitos países o dia 14 de fevereiro é o Dia dos Namorados, em uma data que remete a São Valentim, a comemoração dos apaixonados no Brasil ocorre em 12 de junho e tem um fator comercial para isso.
O publicitário João Doria levou a data para o meio do ano. O pai do ex-governador de São Paulo trabalhava para a Clipper, uma rede de lojas de departamento, que precisava de alguma data especial para aumentar as vendas.
Havia um vazio de comemorações comerciais. A rede considerava que, passado Carnaval e Dia das Mães, havia um buraco grande até um novo pico de vendas — que só ocorria no Dia dos Pais, em agosto. A solução foi jogar o Dia dos Namorados para junho.
Em teoria, o dia também está conectado a outro símbolo da Igreja Católica: o "casamenteiro" Santo Antônio tem seu dia comemorado logo depois, em 13 de junho.
A campanha criada em 1948 tinha o slogan: "Não é só com beijos que se prova o amor". O dia 12 foi escolhido pensando na ligação com o "santo casamenteiro", para quem é comum fazer promessas para encontrar um amor.
O que era publicidade da Clipper, virou um sucesso copiado em todo o país. Apenas no ano passado, a Confederação Nacional do Comércio estimou que as vendas de Dia dos Namorados renderiam R$ 2,49 bilhões.
Em países como a vizinha Argentina, o Dia dos Namorados — ou Valentine's Day — é comemorado em 14 de fevereiro, em homenagem a São Valentim. O bispo da Igreja Católica foi executado em um dia 14 de fevereiro, no século 3, por realizar casamentos às escondidas mesmo após a proibição do imperador Cláudio 2º, que considerava que homens solteiros eram melhores soldados.
Quando foi descoberto, ele foi executado a mando do imperador. No século 7, o então papa Gelásio promulgou o padre Valentim como um santo e instituiu a data em fevereiro como o dia dos apaixonados em sua homenagem.
A Igreja Católica também queria "cobrir" o festival romano de Lupercalia, a festa da fertilidade. Como era comum naqueles tempos, a instituição criou um evento de cunho religioso para abolir uma tradição pagã.